domingo, 3 de fevereiro de 2013

A decomposição íntima


Nietzsche já havia dado o alerta, não que fosse a força de expressão, tampouco uma vacina, no entanto, assim dessa forma eu deveria ter recebido. Não cabe aqui a admissão de um tigre que fora tornado um ser qualquer venenoso, de espécie constante na raça humana. Mas o tigre não se elege, todavia não vive da fraqueza.

Entretanto fora feita a bruta transição: da altivez em sujeira estúpida, imposta! Ao se confrontar demasiadamente com um monstro, em monstro também foste transformado.

O abismo do estômago agora abriga o ácido conteúdo de si e que arroto e que anseio, soluçando. Tornar-te frio a pele e o cobertor, mas não mataste o teu abrigo, não seria portador de tamanha coragem assim. Mas era de se esperar: parasitas não matam seus hospedeiros.

A pele arranhada precisava de amparo.  A compulsão sinestésica queria o quente do gosto do lábio. O cinza do cheiro dos teus cigarros. E das cinzas guardadas feito dos restos de alguém se guarda num frasco de vidro, eu tentei fumar os teus restos. Lembrei-me assim do cheiro, do teu. Era aquele mesmo incenso.

Os sinos e os berros, seguidos das latas de cerveja, puseram na língua o amargo maior. A música dizia o que o amor é a dois, quando só assim se transfigura o olhar para consigo mesmo, ao se enxergar nos olhos não mais alheios, mesmo sendo os olhos do outro.

 O sincronismo antes não rítmico, agora é valor. Os pulmões, as sinapses, o suor, os dedos se entrelaçando com o objetivo de si mesmo, encontrado e habitado agora naquele que fora outrora inexistente.
Eu respiro. Tu respiras no meu sentido em que o faço. Puxamos-nos, nos gememos tudo em coexistência. Eu vivo em reticência, mas não poderia eu-ser, se tu não fosses os pontos que me compõem.

 Bebemos nossos cuspes e rejeições, mas trafegamos logo em seguida em nossos corpos-nossos. O meu era o meu e o teu também era o meu, assim como eu foste teu e tu o teu mesmo. Éramos petreamente as cláusulas de nosso suborno, constituído e legislado com nosso egoísmo traficante.

A virilidade no talo tecia grunhidos e mordidas, ao passo que o corpo era feito abrigo no sono e proteção e segurança nos momentos de medo e choro.

A virilidade no talo era devolvida com abraços e mãos sinápticas, cheias de corrente elétrica do nós, configurado e verbalizado com os pronomes de tratamento  sentimentais, tentando dar mais propriedade ao nosso tráfico de fluidos bucais, cheirando nossas genitálias rígidas. 

Gagueira, empate! Paralisia, pernas trêmulas. Assim vencíamos, e um pós-assalto orgástico cheio de levezas, dormíamos. Eu agarrado ao teu corpo, nós dois feitos um nó. Derrepente solidão.

E com ela tenho estado, portanto, não tão só assim. É impossível que se esteja sozinho, quando na verdade há uma companheira nos soprando nossos íntimos recalques, a doce solidão da solidão, de se estar só para o mundo e tão próximos de nosso deus interior.

E assim foi feito: folhas secas nelas quase sempre pisaram. E o que compõem os berros ao mutilar com os pés?