Nietzsche
já havia dado o alerta, não que fosse a força de expressão, tampouco uma
vacina, no entanto, assim dessa forma eu deveria ter recebido. Não cabe aqui a
admissão de um tigre que fora tornado um ser qualquer venenoso, de espécie
constante na raça humana. Mas o tigre não se elege, todavia não vive da
fraqueza.
Entretanto
fora feita a bruta transição: da altivez em sujeira estúpida, imposta! Ao se
confrontar demasiadamente com um monstro, em monstro também foste transformado.
O
abismo do estômago agora abriga o ácido conteúdo de si e que arroto e que
anseio, soluçando. Tornar-te frio a pele e o cobertor, mas não mataste o teu
abrigo, não seria portador de tamanha coragem assim. Mas era de se esperar:
parasitas não matam seus hospedeiros.
A
pele arranhada precisava de amparo. A
compulsão sinestésica queria o quente do gosto do lábio. O cinza do cheiro dos
teus cigarros. E das cinzas guardadas feito dos restos de alguém se guarda num
frasco de vidro, eu tentei fumar os teus restos. Lembrei-me assim do cheiro, do
teu. Era aquele mesmo incenso.
Os
sinos e os berros, seguidos das latas de cerveja, puseram na língua o amargo
maior. A música dizia o que o amor é a dois, quando só assim se transfigura o
olhar para consigo mesmo, ao se enxergar nos olhos não mais alheios, mesmo
sendo os olhos do outro.
O sincronismo antes não rítmico, agora é valor.
Os pulmões, as sinapses, o suor, os dedos se entrelaçando com o objetivo de si
mesmo, encontrado e habitado agora naquele que fora outrora inexistente.
Eu
respiro. Tu respiras no meu sentido em que o faço. Puxamos-nos, nos gememos
tudo em coexistência. Eu vivo em reticência, mas não poderia eu-ser, se tu não
fosses os pontos que me compõem.
Bebemos nossos cuspes e rejeições, mas
trafegamos logo em seguida em nossos corpos-nossos. O meu era o meu e o teu
também era o meu, assim como eu foste teu e tu o teu mesmo. Éramos petreamente
as cláusulas de nosso suborno, constituído e legislado com nosso egoísmo
traficante.
A
virilidade no talo tecia grunhidos e mordidas, ao passo que o corpo era feito
abrigo no sono e proteção e segurança nos momentos de medo e choro.
A
virilidade no talo era devolvida com abraços e mãos sinápticas, cheias de
corrente elétrica do nós, configurado e verbalizado com os pronomes de tratamento sentimentais, tentando dar mais propriedade
ao nosso tráfico de fluidos bucais, cheirando nossas genitálias rígidas.
Gagueira,
empate! Paralisia, pernas trêmulas. Assim vencíamos, e um pós-assalto
orgástico cheio de levezas, dormíamos. Eu agarrado ao teu corpo, nós dois feitos um
nó. Derrepente solidão.
E
com ela tenho estado, portanto, não tão só assim. É impossível que se esteja
sozinho, quando na verdade há uma companheira nos soprando nossos íntimos
recalques, a doce solidão da solidão, de se estar só para o mundo e tão
próximos de nosso deus interior.
E
assim foi feito: folhas secas nelas quase sempre pisaram. E o que compõem os
berros ao mutilar com os pés?